A automação já é presença comum no salão dos restaurantes, com totens de pedido e cardápios digitais, mas o próximo passo da tecnologia no setor gastronômico está acontecendo onde o cliente não vê: dentro da cozinha.
Um espaço batizado de Restaurante do Futuro, dedicado a mostrar aplicações práticas de inteligência artificial na rotina de cozinhas profissionais, estará aberto ao público durante o Salão Abrasel 2026, que acontece nos dias 15 e 16 de setembro, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
O que muda na rotina das cozinhas profissionais
Diferente da automação voltada ao atendimento, como chatbots e sistemas de reserva, a proposta apresentada no evento foca em ferramentas de gestão interna: controle de estoque, organização de compras e planejamento de produção integrados em um único sistema. A ideia é que restaurantes consigam reduzir desperdício e ganhar previsibilidade sem depender exclusivamente de planilhas ou controles manuais, um desafio comum entre pequenos e médios estabelecimentos da cidade.
Entre os exemplos citados pela organização do espaço estão equipamentos programáveis capazes de realizar preparos específicos sem acompanhamento contínuo da equipe, como cozinhar massas controlando automaticamente tempo e temperatura, avisando quando o prato está pronto. Esse tipo de automação libera a equipe de cozinha para se concentrar em etapas que realmente exigem intervenção humana, como o acabamento e a montagem dos pratos.
IA também chega ao atendimento e à gestão de reservas
Fora do ambiente da cozinha, a inteligência artificial já vem sendo adotada por restaurantes paulistanos para prever demanda com base no histórico de reservas, cancelamentos e faltas, ajudando a organizar melhor a ocupação das mesas em tempo real. Sistemas de gestão de filas de espera também usam esses dados para enviar notificações automáticas aos clientes, reduzindo o tempo de espera percebido e melhorando a experiência geral no salão.
Apesar do avanço das ferramentas disponíveis, a adoção dessas tecnologias esbarra em um obstáculo recorrente: a preparação das equipes. Segundo o coordenador do espaço no Salão Abrasel, capacitar profissionais e convencer empresários de que esse é o caminho a seguir é hoje o principal trabalho por trás da iniciativa, já que muitos equipamentos modernos permanecem subutilizados justamente por falta de conhecimento técnico de quem opera a cozinha no dia a dia.
Automação como ferramenta, não substituição
Um ponto reforçado por especialistas do setor é que a automação não chega para substituir a mão de obra, mas para reorganizar o trabalho dentro da cozinha, permitindo que os profissionais dediquem mais tempo a atividades criativas e de maior complexidade. Isso vale tanto para grandes redes, que já usam inteligência artificial para otimizar produção e reduzir custos, quanto para restaurantes independentes que buscam formas mais simples de digitalizar processos.
O que esperar para os próximos meses
Com o Salão Abrasel 2026 se aproximando, a expectativa é que mais estabelecimentos paulistanos comecem a testar essas ferramentas na prática, especialmente em funções ligadas à gestão de estoque e previsão de demanda, áreas em que o retorno financeiro costuma aparecer mais rápido. Para o consumidor final, o efeito mais perceptível deve continuar sendo indireto: pratos com padronização mais consistente e menos variação de qualidade entre um atendimento e outro.
*Fontes: Congresso News, Brasil de Fé, ANR Brasil
