Fredy da Silva Gonçalves Bento, o empresário Fredy Restrito, incorporou a importação da China à rotina da Litoral Mobilidade, rede de lojas de motos, scooters e bicicletas elétricas do litoral paulista. A decisão acompanha um movimento do próprio setor, já que boa parte da cadeia produtiva de veículos elétricos leves está concentrada no país asiático.
Para quem observa de fora, importar parece se resumir a escolher um fornecedor, pagar e esperar o navio. Na prática, o contêiner é a última etapa de um processo que envolve verificação de fábrica, enquadramento fiscal, homologação e regras específicas de transporte. Errar em qualquer uma delas pode deixar a mercadoria parada no porto ou impedida de circular nas ruas.
Conhecer a fábrica antes do pedido
Catálogo e fotos não mostram como um veículo é montado. Por isso, a primeira etapa costuma ser presencial: visitar fornecedores, conferir a linha de produção, avaliar a qualidade dos componentes e entender a capacidade de entrega. As viagens empresariais à China fazem parte da trajetória de Fredy Restrito justamente por esse motivo.
Nessa fase também se negociam amostras, especificações técnicas e prazos. Um ponto decisivo é a disponibilidade de peças de reposição. Um fornecedor que vende o veículo, mas não garante controladores, motores e baterias avulsos, transfere para o importador um problema que aparecerá meses depois, na assistência técnica.
Habilitação e enquadramento fiscal
No Brasil, a empresa precisa estar habilitada no Siscomex, sistema da Receita Federal que controla o comércio exterior, por meio do chamado Radar. Fredy Restrito menciona, nesse ínterim, que a modalidade de habilitação define o volume que a empresa pode importar, e operações de maior porte exigem comprovação de capacidade financeira.
Em seguida vem a classificação fiscal de cada produto pela Nomenclatura Comum do Mercosul, a NCM. Esse código determina as alíquotas de Imposto de Importação, IPI, PIS, Cofins e ICMS, tributos que incidem em sequência e podem mudar bastante o custo final. Uma classificação equivocada gera multa, atraso no desembaraço e cálculo de preço errado desde a origem.
O veículo precisa poder circular
Importar legalmente não significa que o produto pode rodar. Ciclomotores, por exemplo, precisam de registro e emplacamento, o que depende de homologação junto à Secretaria Nacional de Trânsito, com emissão do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito, o CAT.
Esse processo exige documentação técnica do fabricante e testes que comprovem que o modelo atende às normas brasileiras. Sem o certificado, o veículo chega ao estoque, mas o comprador não consegue regularizá-lo. Por isso, a homologação precisa ser planejada antes da compra em escala, e não depois.
Bateria viaja como carga perigosa
Baterias de lítio seguem regras internacionais de transporte de mercadorias perigosas, por causa do risco de aquecimento e incêndio. Embalagem, identificação, nível de carga durante o trajeto e documentação específica precisam estar corretos para que o armador aceite o embarque.
Isso afeta o planejamento logístico. Nem todo frete aceita esse tipo de carga nas mesmas condições, e eventuais exigências adicionais pesam no prazo e no custo. Veículos com bateria instalada e baterias avulsas para reposição costumam ter enquadramentos distintos, o que exige atenção redobrada no momento de montar o pedido.
Do porto ao estoque
Na Baixada Santista, região onde o empresário construiu seus negócios, o Porto de Santos é a principal porta de entrada de contêineres do país. Ainda assim, a chegada do navio não encerra o trabalho. Fredy Restrito frisa que depois do desembaraço, os veículos precisam ser recebidos, conferidos, montados e distribuídos.
Na Litoral Mobilidade, essa etapa passa por um centro de distribuição com mais de 2.000 metros quadrados, que sustenta um estoque de aproximadamente R$8 milhões. A importação, nesse modelo, deixa de ser uma compra pontual e vira competência permanente da empresa. É essa capacidade, mais do que o produto em si, que permite planejar a expansão por meio de franquias sem que cada nova loja precise reinventar o caminho entre a fábrica e o cliente.
